Entrega das medalhas de participação da Semana de Integração Escolar do turno da manhã

Encontro de Polo do dia 28/10







Gincana de tarefas do turno da manhã - Semana de Integração Escolar






EMEFAZ: Vice-campeã da Fase Regional do Guri Bom de Bola

????????!!!!!!!!

 
        Gostaria de iniciar este texto com uma metáfora. Vocês já ouviram falar em  iceberg, esses enormes blocos de gelo que se desprendem das geleiras e ficam flutuando no mar. De tais blocos, apenas uma pequena parte está  visível, sua maior parte está sob o nível do mar, oculto aos olhos que enxergam apenas a superfície da água.
        A existência humana é exatamente como um iceberg. É muito mais mistério, incerteza. De tudo o que somos ou conhecemos, podemos dizer que é uma pequena parcela, como aquela parte que está acima do nível do mar, no iceberg. Há tantas coisas a serem descobertas, exploradas em nós mesmos, no mundo em que vivemos, neste nosso universo infinito, sobre as pessoas, seus mistérios, o futuro...
        Decididamente, sou um  iceberg. O que os outros enxergam de mim é um mínimo. Sou muito mais, sou coisas que nem eu mesmo sei – é a parte funda do bloco de gelo flutuando no mar. O mar é o mundo, o iceberg sou eu. Neste mar, mostro apenas a pequena parte que convém, o restante...
        Bom, mas chega de metáforas. Nossa vida é grandiosa demais, nenhuma comparação pode explicá-la. Comecemos com uma pergunta: Você já parou pra pensar como é que você chegou até aqui? Como você se tornou aquilo que você é hoje? Quais  foram seus passos, seus erros, seus acertos, seus sonhos ou planos que deram certo ou errado e que o trouxeram até aqui? Quem realmente, é você? Qual a sua origem, para onde você está indo? Muitos passam a vida toda sem se fazerem tais perguntas básicas.
        É claro que é possível viver sem nunca pensar a respeito disso, mas quem para e começa a matutar sobre tais questões, com certeza tem muito mais chance de fazer da sua existência uma grande obra. E isto pelo fato de sermos colocados diante do mistério que é a construção do nosso estar no mundo. E estar aqui não é tarefa fácil, vocês sabem disso – quantos  por quê?; quantos ah, se eu soubesse; quantas coisas que gostaríamos de mudar em nós mesmos; o que mudaria se eu, talvez, pudesse repetir todos os momentos de um outro jeito ou conduzir minha  vida, desde muito tempo atrás, de maneira diferente?
        Quem nunca quis fazer voltar o tempo? Ou, ao  menos, que ele parasse naquele instante mágico!!! Ou, ainda, quem nunca quis  que aquele momento nunca tivesse acontecido. Dá uma agonia imensa saber que nossas bifurcações são reais e decisivas: estou com muita sede e não posso voltar, devo escolher o caminho para poder encontrar a fonte. E nesta escolha, estou sujeito a erros. Mas  não posso parar, por mais difícil que seja a estrada, a meta a ser alcançada, por mais longe que seja o ponto de chegada, por mais que rolem lágrimas, gritos ecoem – não posso parar. E se fizer, posso ser pisoteado por aqueles que não querem parar.
        VOCÊ TEM SEDE DE QUÊ?, perguntava Arnaldo Antunes na belíssima música Comida, dos Titãs. Faça a você mesmo esta pergunta  para poder saber que fonte procurar e poder se saciar. Mas quem constrói a estrada somos nós; ela, por si mesma, não existe – o caminho só existe quando estou trilhando ele, caso contrário é apenas uma simples possibilidade: “caminheiro, você sabe, não existe caminho! Passo a passo, pouco a pouco, e o caminho se faz”.
        Faça uma análise dos seres humanos que você conhece, ou sobre aqueles que você vê andando por aí, apressados, preocupados em cumprir o tempo, ocupados ao extremo de quase não ter tempo pra comer. Poderíamos dizer que eles andam na superfície, apenas molhando os pés na maravilhosa onda do mar da existência. Não conseguem mergulhar e se sentir, realmente, parte deste universo maravilhoso; não conseguem enxergar ao seu redor e perceber que, em meio a tantas loucuras pela  sobrevivência, existe um  mundo cheio de espetáculos deslumbrantes para deixar nossa estrada leve. E ela se torna pesada por  não sermos capazes de perceber esta beleza e leveza – somos educados ao pesado trabalho, aos pesados compromissos, à vida pesada. NÃO, mil vezes não! A vida não é  pesada, tampouco o mundo. Por isso  que existem tantos suicídios, tantas neuroses, depressões: a existência não é pesada, nós é que fazemos com que ela fique pesada.
        Veja aqueles profissionais , em um mesmo local de trabalho. Uns estão de cara fechada, amargurados, mal humorados... Outros sorridentes, enfrentando aquilo que nem sempre é tão fácil com uma leveza estonteante – estes não têm problemas? Claro que têm? Eles apenas conseguem fazer deles um trampolim para se lançarem cada vez mais adiante, e acima. Esta é a diferença entre o suicídio e o progresso.
        Por isso, antes que rompa o fio, ou o telefone desligue, aceite a proposta: você pode  ser diferente..
        Este é o enigma da existência. Estamos constantemente diante de bifurcações: ou isto ou aquilo... Mas nem sempre os caminhos estão claros; muitas vezes é mais dúvida que certeza e, no entanto, preciso decidir. Viver é uma aposta. Seria bom se as alternativas com que nos defrontamos fossem sempre entre o certo e o errado, o bom e o mau. Seria fácil viver. Mas há situações que nos colocam diante de alternativas igualmente dolorosas e de resultado incerto.
        Viver é uma aposta! Mas muito mais, é ato de inteligência. O sábio consegue criar caminhos ou perceber as pistas na estrada; ou ainda, admitir o erro. Mas quando tudo está, realmente, incerto, é bom podermos contar com  alguém que diga: “olha, seja qual for a tua escolha, eu estou do teu lado”. Devemos mostrar maturidade, responsabilidade, coragem, amor, alegria... para poder ouvir tais palavras. A vida é um passo no escuro – muitas vezes a fé na vida é a única luz que pode nos guiar; mas sempre vamos contar com alguém para andar conosco de mãos dadas. 

Professor Maurício João Farinon